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Influenciadores milionários lucram com propagandas de casas de apostas enquanto fãs perdem tudo; Virginia compra apartamento de R$ 20 milhões no mesmo prédio de Neymar em SC

Enquanto milhares de brasileiros perdem economias, contraem dívidas e entram em depressão por causa das apostas online — as chamadas bets —, uma elite de influenciadores e celebridades segue enriquecendo às custas da vulnerabilidade do público. A mais nova prova dessa realidade está na compra de um apartamento de luxo de mais de R$ 20 milhões por Virginia Fonseca no Edify One, o famoso "prédio do Neymar", em Itapema (SC). A influenciadora, que há meses é alvo de investigações, processos e da CPI das Bets por suas propagandas enganosas, agora será vizinha do jogador Neymar Jr. — outro nome fortemente ligado à publicidade de casas de apostas.

O APARTAMENTO DOS MILHÕES: LUXO FINANCIADO POR APOSTAS

O Edify One, empreendimento de 140 metros de altura e 41 andares, tem previsão de entrega para dezembro de 2028. A unidade adquirida por Virginia Fonseca ocupa um andar inteiro, com pouco mais de 400 metros quadrados de área privativa, cinco suítes master, elevadores com parada dentro do imóvel e área exclusiva para funcionários. O valor estimado do apartamento é de R20milho~es∗∗,comacoberturatriplexdoedifıˊcioavaliadaemimpressionantes∗∗R20milho~es,comacoberturatriplexdoedifıˊcioavaliadaemimpressionantesR 50,8 milhões.

O prédio fica na frente da Meia Praia, em Itapema — cidade que atualmente lidera o ranking do metro quadrado mais caro do Brasil, com média de R$ 15.327 por m², superando capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. A empresa de Neymar é proprietária do terreno e sócia da construtora responsável pela obra.

A compra acontece em meio a uma enxurrada de investigações sobre a atuação de Virginia e Neymar como garotos-propaganda de casas de apostas.

VIRGINIA FONSECA: PROCESSOS, CPI E PROPAGANDA ENGANOSA

Virginia Fonseca é uma das influenciadoras mais visadas na mira da Justiça e do Legislativo. Em maio de 2025, ela prestou depoimento à CPI das Bets no Senado, onde negou que lucrasse com as perdas de seus seguidores. No entanto, admitiu que os vídeos mostrando ganhos em apostas foram feitos com contas fornecidas pelas próprias plataformas — ou seja, o "sucesso" nas apostas era uma encenação.

A influenciadora é alvo de um processo movido por um apostador que alega ter sido induzido a perdas financeiras após ver suas propagandas. O homem retirou R$ 56 mil de sua reserva para comprar uma casa própria e, ao perder tudo, tentou contrair empréstimos para reverter o quadro, sem sucesso. Ele acusa Virginia e a também apresentadora Adriane Galisteu de "propaganda abusiva e enganosa".

Além disso, o Ministério Público do Distrito Federal pediu cópia dos contratos de publicidade de Virginia e Neymar com a casa de apostas Blaze, como parte de um inquérito que apura condutas abusivas da plataforma. A investigação mira especialmente o uso da expressão "renda extra" nas campanhas — uma promessa falsa que leva milhares de pessoas ao endividamento.

Outro episódio recente colocou Virginia novamente sob suspeita: o Ministério Público do DF a processou após um vídeo em que ela sugeria uma aposta em Cabo Verde durante a Copa de 2026.

NEYMAR: O SÓCIO E O PROPAGANDISTA

Neymar Jr. não é apenas vizinho de Virginia no Edify One — ele também é sócio da construtora responsável pelo empreendimento. Mas sua relação com as bets vai além do mercado imobiliário.

O jogador é um dos principais nomes associados à publicidade de casas de apostas no Brasil. Assim como Virginia, Neymar teve seus contratos com a Blaze requisitados pelo Ministério Público. A investigação busca entender se houve uso irregular de influenciadores para atrair apostadores com promessas de ganhos fáceis.

A proximidade entre os dois — agora vizinhos em um dos prédios mais caros do país — levanta um alerta: enquanto lucram milhões com a divulgação de jogos de azar, seus seguidores, muitos deles jovens e vulneráveis, são empurrados para um ciclo de perdas e desespero.

FELIPE NETO: O ARREPENDIMENTO TARDIO

Outro nome que se destacou na publicidade de bets é o do youtuber e empresário Felipe Neto. Diferente de Virginia e Neymar, porém, Felipe Neto já admitiu publicamente que cometeu um erro grave.

Em outubro de 2024, durante a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), o influenciador afirmou que divulgar jogos de azar foi "o maior erro da carreira" e "o maior erro da vida" dele. Ele prometeu devolver os ganhos obtidos com a publicidade e disse que vai lutar pela proibição das bets no Brasil.

"Fala-se muito em um jogo responsável, mas sabemos que nem sempre é assim", alertou Fátima Pissarra, CEO da Mynd8, em entrevista ao UOL. O arrependimento de Felipe Neto ilustra a crescente controvérsia em torno do tema, que divide opiniões e expõe a falta de regulamentação clara no setor.

Críticos, no entanto, apontam que o arrependimento tardio não apaga o estrago já feito. Durante anos, Felipe Neto usou seu enorme alcance — são mais de 30 milhões de seguidores — para promover casas de apostas, contribuindo para a normalização de um mercado que hoje é apontado como uma das principais causas do endividamento das famílias brasileiras.

A CPI DAS BETS E O PAPEL DOS INFLUENCIADORES

A CPI das Bets, instaurada no Senado, ouviu diversas celebridades e influenciadores que atuaram como garotos-propaganda do setor. Virginia Fonseca foi uma das convocadas e, sob juramento, negou ter lucrado com as perdas dos apostadores.

Mas as evidências apontam na direção contrária. O volume de dinheiro envolvido é gigantesco: as empresas de apostas pagam cachês milionários a famosos para que eles atraiam novos usuários. Em troca, milhões de brasileiros são expostos a um conteúdo que estimula o jogo como "solução financeira" — quando, na realidade, é uma armadilha.

"O Brasil é um dos países onde a população mais tem se endividado com as bets", alertou Marcus Montenegro, fundador da Montenegro Talents, em entrevista ao UOL.

O CICLO DA GANÂNCIA

Enquanto Virginia Fonseca celebra seu novo apartamento de R$ 20 milhões no "prédio do Neymar", e Neymar segue como sócio de um dos empreendimentos mais caros do país, milhares de brasileiros amargam perdas financeiras irreversíveis. O ciclo é cruel: os influenciadores lucram com a propaganda, as casas de apostas lucram com as perdas dos usuários, e o público — especialmente os mais pobres e vulneráveis — paga a conta.

Felipe Neto, ao menos, reconheceu o erro. Mas o reconhecimento não devolve o dinheiro perdido por aqueles que foram atraídos por suas campanhas. E, enquanto Virginia e Neymar seguirem impunes, a mensagem que fica é clara: no Brasil, enriquecer às custas da desgraça alheia ainda compensa.

Reportagem: Equipe de Investigação | Publicado em 14 de julho de 2026